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No mês das mães, ela comemora o milagre de ter os dois filhos por perto

O sorriso entrega toda a satisfação dessa mãe de crianças especiais no sentido mais literal da palavra. Taylor e Talysson mudaram a vida de Gislaine.

Vivianne Nunes

“Cada um deles é um milagre na minha vida”. O depoimento é de Gislaine Lourdes dos Santos, 28 anos, mãe do Taylor, de quatro anos e do Talysson, de oito. Aos quatro meses, o caçula foi diagnosticado com meningite por médicos no Hospital Regional, em Campo Grande. Administraram um medicamento e ele sofreu uma parada respiratória que durou 45 minutos. Quando voltou, o bebê já apresentava as seqüelas de uma paralisia cerebral.

“De lá pra cá, mudou tudo na minha vida”, relatou. De acordo com ela, naquele momento, os médicos nem sabiam dizer qual seria o quadro de Taylor, já que a parada tinha sido muito longa. “Me disseram que ele poderia ficar vegetando em cima de uma cama. Ele mexia só o olhinho”, lembrou.

O pequenino saiu do hospital com sonda, pois outra constatação médica era de que ele não poderia se alimentar. Em casa, Gislaine percebeu que ele chorava muito e concluiu que era fome. “Eu agi por instinto mesmo. Achei que meu filho estava passando fome e coloquei peito na boca dele. Foi quando ele começou a sugar”, contou cheia de sorrisos. Logo os médicos viram que não havia necessidade e a sonda foi retirada.

Em atendimento pelo Cotolengo desde setembro do ano passado, Gislaine é toda agradecimentos. Ela conta que as mudanças e o amadurecimento motor de Taylor são visíveis. Segundo ela, o atendimento que ele recebia anteriormente, em outra entidade, não era suficiente. “Lá era só uma vez por semana, por meia hora. No Cotolengo não. Aqui é tudo intensivo. As meninas (da saúde) ficam em cima dele e ele já consegue segurar o corpinho, foi para o andador. Ele já define vozes e elas apostam em uma melhora significativa”, afirmou a mãe cheia de esperanças que um dia ele possa caminhar.

Taylor não enxerga, mas ainda não se sabe ao certo se o problema é devido a parada ou se um transplante de córnea possa resolver. “O exame que vai dizer o quanto ele não enxerga custa muito caro e só é feito em São Paulo, por isso ainda não fizemos”, afirmou. Ela lembra que já passou por pelo menos seis oftalmologistas e todos dizem a mesma coisa. “Que o fundo de olho dele é bem preservado e que precisamos fazer um exame mais apurado”, afirmou.

Enquanto isso não acontece, Gislaine segue a rotina de mãe, dividindo-se entre as necessidades especiais de Taylor e um problema cardíaco em tratamento de Talysson. A ligação dos dois é tão forte que, quando o menor adoece, o mais velho acaba adoecendo junto. “Eles são muito ligados”, garantiu a mãe.

Sobre a maternidade, ela lembra que se dividir é uma constante em sua vida, mas não acredita que isso seja problema pra ela. “Quando o Taylor chega em casa, eu fico com ele o tempo todo no colo, mesmo depois de ter feito várias tarefas em casa. Mesmo assim, não me sinto cansada”, lembrou. “Quando a gente vira mãe, aprende que é preciso deixar um pedaço seu para viver um pedaço deles”, concluiu. 

E entrevista com Gislaine foi realizada durante evento de comemoração pelo Dia das Mães, realizado no último dia 12, na sede do Cotolengo Sul-Mato-Grossense. Na ocasião, as mães foram convidadas para prestigiar uma linda homenagem e participaram de um bingo com delicioso café da manhã. Tudo feito com o intuioto de unir as mães das crianças atendidas pela entidade. 

"A intenção é fazer com que elas se conheçam e troquem experiências. Também desejamos fazer uma homenagem à essas mulheres que são verdadeiras guerreiras", lembrou o diretor presidente da entidade, padre Valdeci Marcolino, que começou a manhã com uma benção para todas elas. 

 
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