Notícias

Cotolengo Sul-Mato-Grossense promove Semana Farroupilha para sanar prejuízos de furtos

O Cotolengo Sul-Mato-Grossense está em festa de 17 a 22 de setembro. É a Semana Farroupilha que promete reunir os Amigos do Cotolengo com apresentações de vários grupos musicais e cardápios variados em prol da entidade que, apenas este ano, teve um prejuízo de mais de R$ 10 mil depois de ser invadido por ladrões durante a madrugada do dia 30 de Junho deste ano.

A programação começa com a apresentação do Grupo Antigo Aposento e um delicioso Arroz Carreteiro de Costela. No decorrer da semana haverá shows com Eco do Pantanal, Grupo Laço de Ouro, Zíngaro, finalizando com o tradicional Costelão Fogo de Chão. Desta vez a apresentação cultural fica por conta do Sarau do Roker, Bar Baré, o musical dos Botecos e Grupo Pantanal.

Motivação

Desde o ano passado, a entidade que atende mais de 150 crianças e adultos com paralisia cerebral grave e patologias neurológicas, vem sofrendo com a ação de bandidos, que invadem o local para furtar objetos de valor, adquiridos com o apoio de emendas parlamentares e outras doações, já que se trata de um local sem fins lucrativos.

Depois da última invasão, o diretor-presidente do Cotolengo Sul-Mato-Grossense, padre Valdeci Marcolino, se viu obrigado a investir na segurança e, para isso, realizou a aquisição de câmeras de vigilância, alarmes, sensores de movimento e a contratação de um vigilante noturno permanente. A intenção agora, é cercar todos os muros da entidade para dificultar ainda mais possíveis invasões.

“Acabamos investindo o dobro do que foi perdido, mas não poderíamos permitir que esse crime voltasse a ocorrer. Trabalhamos com tanto amor e dedicação para atender as crianças que são de famílias carentes. Não podemos aceitar que pessoas mal-intencionadas possam nos lesar desse jeito”, afirmou o padre.

Pensando em reaver os valores investidos e o prejuízo, o diretor-presidente diz que deseja contar com a participação de todos. “Tudo está sendo preparado com muito carinho para que todos os nossos amigos e colaboradores possam ser bem servidos e se divertirem”, afirmou o padre.

Serviço

17.09 (terça-feira) – Grupo Antigo Aposento – Arroz Carreteiro de Costela 19h 18.09 (quarta-feira) - Grupo Eco do Pantanal – Macarronada 19h
19.09 (quinta-feira) – Laço de Ouro – Carreteiro 19h
20.09 (sexta-feira) – Grupo Zíngaro – Polenta com frango 19h

Pratos servidos à R$ 10

22.09 (domingo) – Sarau do Roker, Costelão Fogo no Chão, Bar Baré, o musical dos Botecos e Grupo Pantanal 11h30

Convites a R$ 35 antecipadamente ou R$ 40 no dia

História

O Cotolengo Sul-Mato-Grossense nasceu em 20 de julho de 1996. Atualmente, entidade atende cerca 150 pessoas com paralisia cerebral grave ou sequelas neurológicas. São, em sua maioria, crianças e adolescentes de famílias carentes da Capital.

A rotina tem início no Centro-Dia com atendimento especializado e cuidados de higiene, alimentação além também dos atendimentos clínicos específicos.

Os assistidos também recebem atendimento clínico e acompanhamento pelo sistema regulatório do SUS para atividades específicas como fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia, pedagogia, terapia ocupacional, psicologia, enfermagem, assistente social entre outros voltados para proporcionar conforto e qualidade de vida aos pequeninos.

Quem acompanha o atendimento dado às crianças no Cotolengo nos dias de hoje talvez nem possa imaginar que há vinte anos atrás o cenário era bem diferente.

O carinho e os cuidados, certamente eram os mesmos, mas a infra-estrutura não. Os meninos e meninas com paralisia cerebral eram atendidos debaixo da sombra das mangueiras que haviam no terreno que tem aproximadamente 300 metros quadrados.

E quem nos conta essa história, fala com conhecimento de causa. Valentim Calegaro, 66 anos, é voluntário da obra desde antes de sua fundação e ajudou, com o trabalho que ele chama de “trabalho de formiguinha”, a chegar onde estamos, comemorando 20 anos de história. “Pra começar que o terreno estava invadido e foi uma longa briga na Justiça pra gente conseguir tomar a posse dele”, conta dando início ao relato.

Calegaro é serralheiro, pai de quatro filhos e avô de dois netos. Em nossa conversa, ele cita tantos outros nomes importantes da história do Cotolengo em Campo Grande, como o do padre italiano André Giuseppe Sclaglia, que também participou do processo e do casal Hernani e Gisela (In Memorian).

“Ela foi uma grande mulher. Doou 24 horas do seu dia pra cuidar dessas crianças”, lembra Valentim. Pra ele, cada voluntário que participa ou participou da obra são importantes e fazem parte dessa história, pois foi graças a eles que as instalações puderam ser construídas.

Depois de todos esses anos, os olhos azuis do Seo Valentim ainda enchem de lágrimas ao lembrar das dificuldades que passaram. “Uma vez fui levar uma cesta básica para uma família no Natal. Quando cheguei, ouvi aquele chorinho e fui entrando. A casa estava vazia e lá no quarto eu vi aquela criança em uma espécie de cercadinho de pau à pique. Ele estava sozinho e estava sendo picado por formigas. Peguei ele nos braços e levei dali.”, lembra emocionado.

O voluntário conta ainda, que antigamente os pais precisavam trabalhar e não tinham com quem deixar as crianças, mas também não tinham a consciência de que eles não poderiam ficar sozinhos. Hoje em dia, com o atendimento do Cotolengo, isso mudou muito.

Ainda há muitas crianças na fila de espera, mas as famílias também são mais conscientes sobre esse atendimento especial que precisam. Claro, ainda falta muito para que seja o ideal, mas o fato é de que muita coisa mudou em vinte anos.

Vivianne Nunes

 
VOLTAR
Cotolengo © 2016